Arcanos maiores vs arcanos menores: quais cartas mais importam no tarot?
- Tati Santana

- 11 de fev.
- 4 min de leitura
Entenda de vez se os arcanos maiores possuem mais importância do que os arcanos menores e como isso pode influenciar as leituras de tarot.
Uma das dúvidas mais comuns entre os iniciantes no tarot é se, na batalha “arcanos maiores vs arcanos menores”, os arcanos maiores, conhecidos pelos seus arquétipos e imagens marcantes, têm uma importância maior que precisa ser considerada na hora da tiragem ou, na verdade, são tão importantes quanto os arcanos menores.
Mas, antes de chegarmos a uma resposta, precisamos voltar no tempo e olhar um pouco para a história do tarot para entendermos melhor esse questionamento.

Arcanos maiores vs arcanos menores no século XIV
Basta segurar um deck de tarot nas mãos e observar as cartas para perceber a grande diferença que há entre os arcanos maiores e menores, principalmente se esse deck for o Tarot de Marselha ou outro tarot antigo, que possui arcanos menores baseados apenas no número e no símbolos de cada naipe, sem ilustrações complexas, como vemos no moderno Rider-Waite-Smith. Essa diferença já seria razão suficiente para acender o debate “arcanos maiores vs arcanos menores”. Mas não é só isso.
Lá nos primórdios do tarot, por volta do século XIV, as 78 cartas já formavam um conjunto interessante e repleto de sentido. Mas os dois grupos de cartas que compõem o oráculo não vieram da mesma fonte. Enquanto os arcanos maiores parecem ter sido inspirados pelo pensamento renascentista que colocava o ser humano no centro e resgatava saberes antigos, os arcanos menores podem ter origem no baralho mameluco árabe, que possui uma estrutura bem parecida.
Não se sabe exatamente de onde os dois grupos de arcanos surgiram. Mas os arcanos maiores, carregando arquétipos e questões profundas sobre a vida, a espiritualidade e o ser humano, parecem ter sido feitos para inspirar e ensinar, enquanto os arcanos menores, com os seus naipes que aparentemente se referiam a questões mundanas menos complexas, eram usados como um baralho para jogos semelhante ao baralho comum que usamos nos dias de hoje. No fim das contas, os dois passaram a ser um só, e os arcanos menores, com o tempo, ganharam profundidade simbólica.
Arcanos maiores vs arcanos menores nos métodos europeu e americano
Outra questão que reforça o debate “arcanos maiores vs arcanos menores” é a diferença significativa no uso dos arcanos de acordo com o método europeu e o método americano.
No método europeu, os arcanos maiores e menores são dispostos na mesa separadamente. Basicamente, o arcano maior diz “o que” e o arcano menor diz “como”, complementando a mensagem. Nesse cenário, os arcanos maiores evidentemente possuem maior relevância. São encarados como os protagonistas.
Já no método americano, a situação é bem diferente. Os arcanos maiores e menores são dispostos juntos e podem ocupar qualquer lugar dentro da leitura. Assim, um 2 de Espadas poderia representar uma situação, e a carta do Mago poderia apontar como ela se desenrola, por exemplo. Não há uma hierarquia escancarada.
Essa diferença entre os métodos já mostra que não há um consenso em relação à análise “arcanos maiores vs arcanos menores”. Quem prefere o método europeu que, inclusive, nasceu no berço do tarot e parece carregar a memória das diferentes origens dos dois grupos de arcanos, naturalmente tende a acreditar que os arcanos maiores importam mais. Já quem prefere o método americano tende a ver as cartas com igual importância. Mas será que existe um meio termo?
“Arcanos maiores vs arcanos menores” na abordagem terapêutica
No Tarot Terapêutico, o objetivo é utilizar as cartas como fontes de reflexão e autoconhecimento. E é perceptível que, independentemente da profundidade simbólica que possuem, todos os arcanos do tarot são capazes de gerar reflexões importantes para o ser humano.
É notável que os arcanos maiores são mais complexos por carregarem arquétipos de grande relevância para nós, inclusive, por estarmos tão acostumados a vê-los nos mitos, nos filmes, nos livros e nas obras de arte em geral. Cartas como a do Mago, a da Torre e a da Roda da Fortuna, por exemplo, nos atravessam de tal maneira que é mais difícil não sermos capturados emocionalmente por elas.
Mas os arcanos menores, especialmente depois de terem sido associados aos quatro elementos da natureza, também são profundos e especiais. Mesmo quando não são ilustrados nos moldes do Rider-Waite-Smith, seus símbolos nos atraem e conversam com a nossa alma. Mas quando eles ganham as cores e formas das ilustrações de Pamela e dos outros artistas que nela se inspiraram, tudo se intensifica, e quem não conhece bem a estrutura do tarot pode até se confundir em relação aos grupos de arcanos.

Assim, é possível reconhecer a complexidade maior dos arcanos maiores sem vê-los como mais importantes. Na batalha “arcanos maiores vcs arcanos menores”, todas as cartas são vencedoras e essenciais para que o tarot possa “conversar” com o ser humano por meio dos símbolos e das reflexões propostas. E, como taróloga, acredito que isso vale, principalmente, na hora da leitura de tarot.
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